A Encruzilhada

by Patricia Soares

 

Aonde esta encruzilhada irá me levar?

Sento-me no meio do caminho e tento decidir qual devo seguir.

Família à esquerda, carreira à direita, amor no centro.

Porque não fundir todos os caminhos e seguir em frente feliz? Porque nunca é possível?

Percebo que sempre tenho que abrir mão de algo, como se fugisse entre meus dedos feito areia.

A felicidade nunca é completa? Ou o caminho escolhido foi o errado?

Sento-me no meio do caminho e tento decidir qual devo seguir.

Mas e se escolher e me arrepender? Posso voltar?

Meus passos foram apagados e não sei mais para onde ir.

Sento-me no meio do caminho e tento decidir qual devo seguir.

Posso espiar só na beirada e ver se o caminho é curto? Ou quem sabe fazer uma trilha de pão e torcer para os corvos não comer.

Sento-me no meio do caminho e tento decidir qual devo seguir.

Talvez não seja possível. Talvez seja somente uma questão de tempo até que eu chegue novamente nesta encruzilhada.

O que posso fazer?

Vou me levantar, pois já decidi que caminho seguir.

:: Postado por Patricia Soares - Blue Moon às 23h23
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O BICHO PAPÃO EMBAIXO DA CAMA

by Patricia Soares

 

Ela estava petrificada. O som nunca tinha sido tão alto como agora. Era uma mistura de rosnados, gritos, choro e gargalhadas. Bianca lembrou-se da primeira vez que a mãe havia contado sobre o “bicho papão”: “Minha filha, quando você for dormir, corra para cima da cama e lá permaneça a noite toda! E nunca olhe para baixo, senão o bicho papão vai te pegar!” Ela tinha somente 5 anos, mas este terror a perseguiu a vida toda.
Sempre que chegava a hora de dormir, Bianca desligava a luz do quarto (antes claro de garantir que o abajur estava ligado, iluminando tudo) e como uma atleta dos 100 metros livre corria em direção a cama pulando segundos antes que seu pé pudesse encostar-se à borda do estrado. E durante muito tempo, com o coração acelerado pelo terror, ela ouvia pequenos sons que vinham do solo. Nunca conseguiu distinguir que sons eram aqueles como nunca quis tirar a prova dos “09” para saber se realmente as histórias da sua mãe eram verdadeiras ou apenas uma maneira de mantê-la no quarto até o dia seguinte.

Quando acontecia de seu bichinho de pelúcia predileto cair no chão durante o sono, e apesar da dificuldade em dormir sem estar abraçada a ele, Bianca recusava-se a pegá-lo, assustada com a possibilidade de sem querer acabar olhando para onde não devia.

Quando tinha 10 anos, Bianca ganhou um gatinho de sua madrinha. O bichinho era todo preto, com lindos olhos cor de mel. Ela lhe deu o nome de Neguinho, e a partir deste dia o bichinho era sua companhia inseparável.

Agora seu ritual noturno, incluía correr agarrada ao Neguinho e mantê-lo em seus braços até que os sons desaparecessem e ela conseguisse dormir.

Muitas vezes Bianca teve que segurar forte o bichano, que com a curiosidade normal dos gatos queria descer e seguir os sons horripilantes.

Em uma madrugada, Bianca acordou sobressaltada, achando ter ouvido um miado assustado. “Neguinho, onde você ta?” nenhum som no quarto. “Bichano, Bichano, vem pra cama!”. Novamente o silêncio como resposta.

Bianca entrou em pânico, pois não podia imaginar (ou recusava-se a isto) o que tinha acontecido com seu gatinho. Durante toda noite, chorando baixinho, ela aguardou o retorno do gato e quando os primeiros raios da manhã entraram pelas frestas da janela, ela pulou da cama e começou a procurar pela casa toda. Aquela tinha sido a última vez que ela viu o Neguinho, tendo como recordação somente sua colerinha inexplicavelmente pendurada na beirada do colchão...

O tempo passou, Bianca tornou-se mulher, foi para a faculdade e com o passar dos anos, deixou de se preocupar com aquela história, chegando mesmo a nunca mais escutar qualquer tipo de som noturno. Formou-se, conheceu seu grande amor, casou-se. Em uma noite como outra qualquer, Bianca deitou-se para ler um livro (enquanto aguardava que seu marido Vítor ligasse para lhe dar boa noite, entre o intervalo de uma cirurgia e outra), quando sentiu a cama estremecer. Achando que tinha sido o trepidar de um carro passando na rua não deu atenção, mas o tremor continuou e finalmente os sons voltaram. Bianca sentiu o sangue gelar nas veias e o suor escorria pelas costas. Lembrou-se das palavras de Vítor, após ela ter lhe contato sobre seu terror noturno: “Meu amor, isto é lenda!! coisa de gente antiga como sua mãe! Bicho Papão não existe”.

Respirando fundo Bianca começou a sussurrar: “Bicho Papão Não Existe, Bicho Papão Não Existe”, porém quanto mais ela repetia esta frase, mais alto os sons tornavam-se.

Finalmente, não suportando mais aquele tormento, Bianca encheu-se de coragem e resolveu investigar a causa de seu mais profundo pavor. Vagarosamente, curvou-se em direção do solo e com a respiração presa ela olhou...

Os vizinhos contaram aos policiais que acordaram assustados com os gritos que vinham da casa do Dr. Vítor e resolveram chamar a polícia. Na casa os policiais encontraram a pequena Aline, filha do casal de apenas 01 aninho, que chorando no berço pedia pela mamãe. No quarto do casal, uma cama revirada, e como pista do paradeiro de sua dona, uma grande mancha de sangue escorria por debaixo da cama....

:: Postado por Patricia Soares - Blue Moon às 22h51
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Quem Sou Eu?

Com o tempo voce saberá, ou não. Você irá me amar ou me odiar. Irá rir ou chorar. Me pergunte e eu te digo!

:: Postado por Patricia Soares - Blue Moon às 22h44
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Patricia Soares nasceu em Santos, mas adotou São Paulo como sua cidade de coração. Trabalha com turismo, torce pelo São Paulo, ama música e bons livros. Segue a Wicca como religião. Como boa aquariana está sempre no mundo da lua. Desde pequena sempre viveu em um mundo de fantasias que só existe em sua cabeça, mas somente há pouco tempo (e com o incentivo de seu amigo e escritor Richard Diegues) teve coragem de colocar no papel um pouco desta fantasia. Também conhecida como Blue Moon, organiza um encontro pagão que acontece todo 3º Domingo do mês no Parque do Trianon. Considera-se uma aprendiz de escritora, ainda engatinhando nesta nova etapa de sua vida. Aqui está um pouco de seus contos, de seus sonhos, de suas loucuras. Sintam-se a vontade para conhecer um pouco “O Mundo da Lua”




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